Eles comemoram no Uruguai 90 anos do primeiro voto de uma mulher na América do Sul

  • 2 anos atrás

A atividade faz parte de uma série de iniciativas realizadas por grupos sociais e culturais locais. Foto: EFE.

O Uruguai comemora hoje o 90º aniversário do primeiro voto feminino na América do Sul, um marco histórico de relevância internacional ocorrido na cidade uruguaia de Cerro Chato (centro-leste) em 3 de julho de 1927.

A diretora do Instituto Nacional da Mulher (Inmujeres), Mariella Mazzotti, expressou esta opinião, dizendo hoje à Efe que o acontecimento histórico foi de "grande" importância para o Uruguai e a região.
"Foi algo que surgiu em uma pequena cidade rural no Uruguai e é extremamente significativo porque é uma expressão do que era o movimento social feminista pelo sufrágio no início do século XX na região", disse ela.

Mazzoti observou que o evento exemplifica como o Uruguai já estava "consolidando uma concepção democrática muito ampla" naquela época, visto que além das mulheres, o voto também era reconhecido naquela época por afrodescendentes e estrangeiros, estabelecendo assim seu conceito "muito amplo" de cidadania.

Ele observou que esta atividade faz parte de uma série de iniciativas realizadas por grupos sociais e culturais locais para "deixar uma marca" na memória coletiva do país.

A secretária da Câmara Municipal de Cerro Chato, Rosario Morena, afirmou que sua pasta prevê a criação de um museu que homenageie os primeiros eleitores, já que a Prefeitura de Durazno, um dos departamentos do entorno da cidade, adquiriu a casa onde ela havia local de votação.

Morena destacou que Cerro Chato ganhou prêmio do Ministério do Turismo do país em 2016, por isso se projeta como destino turístico histórico. Por sua vez, o historiador Julio Gómez explicou que a votação foi um plebiscito no qual, dada a ambígua localização geográfica da cidade, os cidadãos de Cerro Chato tiveram que escolher a qual departamento pertencer entre os três mais próximos, Durazno, Treinta y Tres e Flórida.

Gómez, que publicará um livro este ano sobre a votação histórica com seu colega Dwigth Lago Zeballos intitulado "As Primeiras Cidadãs", observou que, por se tratar de uma situação incomum, o governo decidiu consultar todos os seus moradores, incluindo as mulheres, o que ressalta a natureza "progressista" do setor político que governava na época, o "Batllismo".

Da mesma forma, a historiadora destacou que a proposta foi apoiada desde a capital do país pelo primeiro movimento feminista do Uruguai, liderado pela ativista Paulina Luisi, que enviou uma carta de incentivo às mulheres de Cerro Chato para irem às urnas. Segundo Gómez, a votação contou com a participação de cerca de 354 pessoas, entre as quais a grande maioria (95%) das mulheres da cidade.

Fonte: elnuevodiario.com.ni

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