Um futuro sobre rodas: as “estradas de borracha” estão chegando

  • 1 anos atrás

Dinama obriga importadores a cuidar de pneus fora de uso. PABLO MELGARA 21 de abril de 2016
Em pouco tempo, os uruguaios poderão circular em estradas feitas com pneus fora de uso. Na Europa há décadas de experiência neste sentido e os utilizadores asseguram que a sua utilização melhora significativamente o conforto do trânsito e, ao mesmo tempo, contribui para a reciclagem de materiais poluentes.

A reutilização de pneus no mundo se dá por meio do processo de retificação. O produto é reduzido a pó para logo ser misturado ao asfalto ou queimado em fornos de alta potência.

A empresa uruguaia Bitafal, localizada em Colonia Nicolich, afirma que conseguiu misturar asfalto com até 15% de borracha triturada, com resultados "excelentes". A empresa afirma ter concluído todos os testes necessários e ser capaz de consumir "toda a borracha triturada gerada no Uruguai", considerando o volume de produção de suas instalações.

Entretanto, a empresa Greenur instalou uma fábrica com tecnologia e qualificação técnica para a reciclagem de telhados.

Pneus fora de uso também poderiam ser transformados em energia. Até agora são reaproveitados nos quebra-mares ou na fabricação de bolsas.

Todos os anos, cerca de 15.000 mil toneladas de pneus entram no país. São quase dois milhões e meio de unidades de diversos tamanhos, desde as pequenas utilizadas em bicicletas até as enormes utilizadas em tratores.

A esse montante, somam-se os pneus que vêm com os veículos importados e que são "calçados" na origem, conforme explicou ontem o engenheiro Federico Souteras, chefe do Departamento de Resíduos Sólidos da Direção Nacional do Meio Ambiente (Dinama).

Até agora no Uruguai não existia nenhum sistema que permitisse a reutilização ou descarte ambiental seguro de pneus. Na verdade, eles se acumulam em tanques sem ter uso específico e gerando criadouros do mosquito.

Ontem a Dinama organizou uma conferência que aconteceu na sede da Câmara de Produtos do País na qual participaram técnicos, importadores e comerciantes do setor. Além disso, participaram empresas que buscam reciclar pneus e câmaras de ar não utilizados.

O órgão ambiental elaborou um plano que obriga todos os vendedores de pneus do país a receber os pneus assim que atingirem a vida útil. Fê-lo através do decreto 358/2015.

Como em qualquer processo liderado pelo Estado, foram definidos uma série de prazos para implementar a obrigação resolvida pela Dinama.

O Escritório de Planejamento e Orçamento (OPP), em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), fez uma convocatória às empresas locais (que expirou em 30 de junho de 2015) para realizarem uma consultoria com o objetivo de estudar a viabilidade de utilização pneus em fim de vida na construção de pavimentos asfálticos ou outras alternativas.

Há até o dia 9 de maio para apresentar iniciativas ou planos de negócios que incluam o destino final e a logística necessária à movimentação e industrialização dos pneus em fim de uso.

Custo.
Durante sua apresentação Souteras ressaltou que desde a publicação do decreto em janeiro passado, os importadores são responsáveis ​​pelo destino final dos pneus.

"Os revendedores devem aceitar pneus sem custo para os clientes. No entanto, se o vendedor vender rodas de bicicleta, ele não é obrigado a aceitar pneus de trator", disse ele.

No entanto, os utilizadores de pneus devem pagar uma sobretaxa na primeira compra para financiar todo o sistema de reciclagem. Este dinheiro cobrirá a obrigação que a Dinama impôs aos comerciantes de pneus. Quanto será esse aumento de preços não foi discutido durante a conferência.

A regulamentação permite que os comerciantes se unam para responder ao decreto. Neste sentido, os membros da Câmara dos Importadores de Pneus do Uruguai criaram um trust que será administrado pelo Estudio Ferrere.

Embora as empresas tenham até 9 de maio para apresentar um plano ao Dinama, ainda não há um projeto definitivo sobre o que fazer com o trust. Porém, acredita-se que com esses recursos poderá ser formado um cluster para desenvolver logística, produção, disposição final e comercialização.

Pneus Fórmula E, imã para Aedes.
Centenas de coberturas que serviram de defesa no circuito da prova da Fórmula E em Punta del Este ainda estão empilhadas em campo aberto nas pedreiras de Marelli, atrás do antigo mercado agrícola (Rota 39).

O terreno pertence ao Município e hoje, depois das intensas chuvas que têm caído em todo o país, constitui um verdadeiro criadouro de mosquitos.

É paradoxal que os governos departamentais, por um lado, promovam campanhas para evitar a propagação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, e em suas próprias propriedades a céu aberto guardem as coberturas que foram usadas na corrida de dezembro. 19 em pilhas de dezembro.

Também em Montevidéu há armazéns com montanhas de pneus a céu aberto na área próxima ao Caminho Maldonado, e em outras cidades, como Rio Branco, o município não sabe o que fazer com os 800.000 mil pneus fora de uso que se acumulam em enormes armazéns.

Cerca de mil capas por semana chegam aos armazéns daquela cidade e quantidade semelhante às demais cidades limítrofes do Brasil, gerando um grave problema ambiental.

OUTRO CUSTO PARA O CAMINHÃO.
Transporte “O Partido pagará.”
Estima-se que cerca de 65.000 mil veículos sejam dedicados ao transporte no Uruguai. Aproximadamente 35.000 mil são especializados em frete e cobrança por quilômetro. A Intersindical do Transporte Profissional de Cargas (ITPC) estima que 40% da frota nacional está parada ou operando abaixo dos custos fixos. Na verdade, os últimos aumentos de custos não foram transferidos para os preços devido à lentidão percebida no mercado.

“São muitos caminhões para a pouca atividade que há, muita gente estava envolvida com arroz e soja que ficou cortada pela chuva e pelo tornado. Muita gente investiu e está pagando taxas”, disse Humberto Perrone, gerente do ITPC.

Perrone acredita que a reciclagem obrigatória de pneus é “a coisa certa a fazer do ponto de vista ambiental”. No entanto, o empresário manifestou desacordo com o procedimento utilizado pela Dinama.

“É algo sui generis para aquilo a que estamos habituados, na Europa existe uma taxa de custo extra em cada cobertura para resolver estas atividades. Aqui seria algo comercial que seria pago no preço, portanto incluiria o IVA, o que é um pouco imprudente”, disse Perrone.

O sindicalista garantiu que o seu setor terá de “pagar a festa” juntamente com as empresas de transporte coletivo de passageiros.

Há dúvidas sobre a aplicação.
Na conferência de ontem de Dinama foi afirmado que poderia, em princípio, haver dois “planos directores” ou sistemas de reciclagem. A este respeito, o engenheiro Federico Souteras, chefe do Departamento de Resíduos Sólidos da Direcção Nacional do Ambiente (Dinama) afirmou que se espera que com o passar do tempo se afirme um plano único.

Na conferência, uma empresária perguntou se a Dinama pretende estabelecer critérios para importação de pneus que levem em conta sua durabilidade e vida útil. A resposta de Souteras foi “não”, “isso seria feito com o Ministério da Indústria e a Unasev porque eles têm poderes”.

Outro empresário perguntou se haverá controle de preços do produto e metas ambientais. “O que se pede é que o consumidor final seja informado sobre o custo extra”, respondeu o engenheiro Souteras.

Em relação às metas, o responsável destacou que se prevê cobrir um piso de 80% dos stocks e que poderá chegar até 110% porque seriam incluídos os depósitos existentes.

Vários empresários do sector insistiram que ainda não se sabe quanto será o preço final para os seus clientes pelo custo da operação e reciclagem final dos pneus.

Nesse sentido, foi alertado que as empresas importadoras não terão nenhum lucro no plano.

Fonte: elpais.com.uy

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